quarta-feira, 3 de maio de 2017

Sem ter que fazer nada





Sem ter que fazer nada,

Tu apareceste com a gratuidade do teu sorriso.

Sem ter que fazer nada,

Tu convidaste-me para um café,

Sem ter que fazer nada,

Tu convidaste-me para almoçar.

Sem ter que fazer nada convidaste-me para jantar.

Uma e outra vez.

Sem ter que fazer nada, a não ser dizer que sim tu compraste a nossa primeira viagem.

E eu não tive que fazer nada.

Foi gratuito.

Foi bom.

Não és para sempre.

És por hoje.

E isso basta.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

«Só não pode se não quiser»



Faz hoje 8 dias que estava na Padaria Portuguesa a almoçar. (Uma sopa e uma salada que estamos na Quaresma!)
Quando terminei pedi o café e desabafei com o Fernando (O Sr que atendia ao balcão), "calhava mesmo bem um docinho... só para aconchegar..."
O Sr. respondeu-me: "Só não pode se não quiser, eu não conto nada a ninguém!", Respondi-lhe: "Tem toda a razão, só mesmo porque não quero. E, nem imagina o post que isto vai dar. A nossa liberdade é maior que o meu apetite."
Sei que ainda estou longe de chegar à minha melhor forma, sei ainda que só não estou não por falta de vontade ou fé mas porque esta minha liberdade às vezes é libertina!
Liberdade, vontade e fé! Estas palavras que trago no peito (luz é me natural!)
Ainda me lembro como tudo começou.
Não foi o desgosto de amor, nem por achar que as gordas não arranjam namorado ou pelos outros me dizerem que devia perder peso, fiz por mim!Porquê? Porque quis!
Porque quis ficar mais bonita para mim, porque descobri o gosto por praticar desporto, porque tenho conhecido gente incrível.
Quero dizer a todos que lêem este post que a maior mudança é por dentro.
É muito bom comer e beber e quem me conhece sabe o quanto gosto. Mas sabe ainda melhor olhar no espelho e gostar do que vemos.
É uma sensação do caraças ver a roupa a ficar mais larga e vestirmos roupa que nunca antes tinhamos vestido. E está ao alcance de todos.
Nunca desistam de mudar e querer mudar se o que tiverem não vos servir. No trabalho, na família, no amor, no corpo...acreditem! É possível!
O maior obstáculo e maior aliado que temos é o nosso eu! Esse eu que por vezes temos de escalar outras vezes abraçar.
Obrigada a todos que me têm ajudado nesta maratona.
À Dra Mariana Magalhães por cuidar do meu coração.
À perna fina e à minha irmã por serem inspiração.
Ao Gonçalo Ruivo que transmitiu o gosto pelo desporto.
Ao Fábio e às minhas pessoas luz meus parceiros do crossfit.
À minha querida mãe que pelo amor que me tem, faz-me muitas marmitas saudáveis.

P.S. Hoje vou tentar correr 10 km e há um ano nem corria...

quarta-feira, 29 de março de 2017

Por que esperas?

No outro dia estava na fila do supermercado no lidl. (Informo que os skyr estão esgotado e pelas 18.30 horas da tarde há sempre muito movimento)
Um Senhor dirigiu-se a mim e perguntou se era a última da fila. Eu grunhi que sim e mais dois dedos de treta, e já viu o tamanho da fila?
O Senhor respondeu-me: "Já viu em que fila está?" E, continuou... poderia estar na fila das urgências de um hospital, poderia estar à espera de um resultado de um exame ou que lhe dessem notícias de um familiar que estivesse a ser operado..
Agradeci por aquela luz no dia-a-dia, ali mesmo, na fila do supermercado.
Quantas vezes reclamamos em vez de agradecer?
Quantas vezes no nosso foco é na demora da espero e nos esquecemos por que esperamos?
E como vale apena às vezes esperar e agradecer cada demora.
Escrevo este texto no corredor do Tribunal, enquanto acompanho um cliente, pronta para reclamar lembrei-me desta espera cheia de sentido para assim aproveitar este tesouro que é o tempo e este prazer que é escrever.
Mais gratidão, menos reclamação.

segunda-feira, 6 de março de 2017

"Não estás farta?"

Hoje pela manhã a propósito de uma decisão que tinha tomado e que partilhei com o meu pai, ele interrogava-me: "Não estás farta de fazer bem e as pessoas pagarem-te mal?"
Confesso que tais palavras me fizeram eco.
Não pelo que simbolizavam mas pelo peso de quem as proferia.
Depois de alguns segundos a marinar, respondi-lhe com firmeza: " Não. As más pagas ficam com quem as pratica. Não ficam comigo."
Pensei sobre a minha resposta o dia todo. Como estava certa.
E apesar do tempo ser curto quis que viessem morar aqui.
Quantas vezes nos privamos de fazer o bem, porque do outro lado houve alguém que nos pagou mal ou não foi recíproco. Não nos pagou na mesma moeda. Alguém que não nos agradeceu.
Quantas vezes não investimos noutras pessoas por dívidas de outros que nos ficaram por liquidar?!



domingo, 19 de fevereiro de 2017

Cuidado

Hoje fui surpreendida.
Quando ia levar uma das minhas luzinhas de quinta-feira, tinha à minha espera uma marmita e um saco de tangeras.
Acabado de fazer, estava um tupperware devidamente preparado - bifinho de peru, courgette e massinha colorida que devorei depois de o meu intenso crossfit.
Emocionou-me o cuidado que não consegui agradecer em condições na pressa de evitar burpees.
Pensei neste cuidado que me é tão difícil aceitar. Este ser forte e independente sempre.
É verdade.Admito. Aqui e agora.
Gosto muito de cuidar dos outros dá-me um prazer do caraças pensar em como posso mimar aqueles que amo e mimá-los efectivamente.
Tenho aprendido a cuidar de mim - porque ninguém dá o que não tem.
Agora deixar que cuidem de mim... confiar-me nas mãos de outros, baixar a guarda - é sem dúvida desafio 2017.
Ganhar esta coragem de me colocar nas mãos do outro um pouquinho de mim e esperar que esse outro saiba fazer o certo.


domingo, 29 de janeiro de 2017

Levantar e sair

No outro dia, já sentada à mesa e depois de já ter molhado o pão no azeite e comermos azeitonas, no mesmo sítio onde já havíamos almoçado muito bem, - estava frio, desagradável e, na ementa quer a mim, quer a quem comigo se encontrava nada agradava.
Disse-lhes: "Vamos embora e almoçar a outro lado!"
Elas resistiram - " Maria já molhaste o pão no azeite e eu comi azeitonas!!!"
Respondi-lhes: " Paga-se o pão e as azeitonas e vamos!"
E fomos!
Este levantar da mesa quer que fique registado aqui.
Escrever para não esquecer de me levantar da mesa e sair sempre que me sentir em relações e lugares frios. Sempre que esteja desagradável e a ementa não me sirva.




sábado, 21 de janeiro de 2017

O rack e a tentativa

Num dia mau fui treinar sozinha.
Entretanto foi chegando mais gente à box - testemunhas do meu esforço e empenho.
Começaram a fazer elevações - um dos meus objectivos fit 2017.
Pedi ao Ruben que me deixasse experimentar com a ajuda do elástico - nada.
Disse-me: "Porque não tenta com dois?" E tentei. E parecia uma pena.
Os mais fit acharão  a imagem ridícula ou de escangalhar a rir - eu também.
Ainda assim foi luz. Porquê?
Por isto: TENTATIVA! Tenta! Que palavra mágica que me ajudou tanto.
Quantas vezes desistimos antes mesmo de tentar?...
Tentar combina com inventar  e reinventar...
Quantas vezes nos boicotamos por não tentar?
Quantas vezes o peso do nosso passado nos impede de tentar por um presente diferente?
Quantas vezes por não corrermos não tentamos se quer começar a caminhar?
Quantas vezes por todas as dietas falhadas não tentamos mais uma?
Quantas vezes pelas más experiências profissionais receamos iniciar um projecto novo?
Quantas vezes as experiências de amores falhados nos impedem de convidarmos aquele rapaz para um café?
Nada nos garante que a tentativa será certeira.
E se a dieta não funcionar? E o trabalho ainda não for aquele? E se o rapaz disser que não?
Tenta. Inventa. Reinventa. Não desistas.
Uma das minhas crossfitgirls, a Vânia, lembrava-me no outro dia: "Foi a tentares e por nunca desistires que um dia saltaste para a caixa."